Dona Maria das Rosas
Para quem chega ao terreiro e cruza o olhar com Dona Maria das Rosas pela primeira vez, a impressão inicial pode ser de puro choque. Sem meias palavras, ela pode parecer ríspida, direta até demais e dona de um vocabulário que deixaria muita gente de queixo caído.
Mas na Umbanda, as aparências sempre escondem mistérios profundos. Essa entidade de imenso poder, luz e mistério na linha da Esquerda usa dessa energia crua, e muitas vezes chocante, para rasgar as nossas máscaras de vaidade e ir direto ao ponto onde a nossa alma realmente precisa de cura e proteção.
A Dama Livre e a Mestra do Jogo
Para entender a força dessa Pombagira nos dias de hoje, precisamos olhar para a sua história. A passagem terrena de Maria das Rosas é marcada pela liberdade, pela inteligência afiada e pela boêmia. Ela foi uma mulher muito à frente do seu tempo.
Dona de uma beleza estonteante e de um magnetismo irresistível, ela circulava com naturalidade pelos mais altos salões da sociedade. Algumas características marcantes da sua jornada nos ajudam a entender quem ela é:
- A Dama e os Senhores: Ela foi desejada e amada por grandes lordes, reis e príncipes. No entanto, ela nunca pertenceu a nenhum deles. Maria das Rosas usava seu encanto para transitar pelos corredores do poder, mas mantinha a sua independência e liberdade absolutamente intactas.
- A Mestra do Jogo: Uma verdadeira malandra, no melhor sentido da palavra, ela era figura carimbada nas mesas de carteado e pôquer. Com um raciocínio muito rápido e uma leitura perfeita das intenções dos seus adversários, ela vivia ganhando as partidas, provando que sua inteligência era tão afiada quanto o seu feitiço.
A Aliança com o Sr. Capa Preta

Foi justamente em meio às madrugadas e aos mistérios da boêmia que os caminhos de Maria das Rosas se cruzaram com os do Sr. Exu Capa Preta.
Diferente do que as mentes mais românticas poderiam imaginar, eles nunca foram amantes. Entre os dois nasceu uma amizade muito sincera, honesta e de uma lealdade inabalável. Foi uma aliança forjada no puro respeito mútuo, que transcendeu a vida terrena e hoje se manifesta com força total na espiritualidade, onde trabalham lado a lado na quebra de demandas pesadas e na abertura de caminhos.
A Beleza e os Espinhos da Rosa
É essa bagagem de vida que faz dela a Guardiã formidável que conhecemos. Hoje, trabalhando nas giras, Dona Maria das Rosas traz para os terreiros a mesma astúcia das mesas de jogo. Ela sabe exatamente como blefar contra os inimigos dos seus protegidos e sabe a hora exata de jogar a cartada final para vencer qualquer demanda.
Para quem tem a honra de conhecê-la de verdade, de conviver com o seu axé e de conquistar a sua amizade, a visão muda completamente. Aquela entidade de fala dura e sem filtro, que assusta os desavisados, se revela como a mãe mais acolhedora, a protetora mais feroz e o espírito de caráter mais belo e bondoso que alguém poderia cruzar.
A Visão de Quem Carrega esse Axé

Como médium — sendo com muito orgulho o cavalo e o instrumento de trabalho dessa entidade maravilhosa —, posso afirmar que a relação com Dona Maria das Rosas é baseada em pura lealdade. Trabalhar com ela é aprender todos os dias o que significa ter as costas guardadas.
Seja qual for o problema, a dor ou a encruzilhada em que você se encontre, ela nunca vai te abandonar. Dona Maria das Rosas pega pela mão, ajuda a desatar os nós mais difíceis e exige respeito, protegendo os seus com a mesma lealdade implacável que dedica ao seu grande amigo, o Sr. Capa Preta.
Por isso eu digo e repito, com o peito cheio de gratidão: Dona Maria das Rosas é Mojubá!

