Os 7, 12 e 14 Orixás na Umbanda Sagrada: A Geometria Divina e as Sete Linhas

Sabe quando a gente começa a frequentar a Umbanda e se depara com contagens diferentes de Orixás? Em um terreiro cantamos para os 7 Orixás principais, em outro vemos ferramentas para 12 e, ao mergulharmos nos estudos da Umbanda Sagrada sistematizada pelo mestre Rubens Saraceni, descobrimos os 14 Orixás Ancestrais.

Longe de ser uma contradição, essa evolução nos números reflete o próprio amadurecimento do nosso entendimento espiritual. É a mesma luz divina, mas vista sob ângulos cada vez mais profundos.

A Raiz dos 7 Orixás e o Crescimento do Terreiro

Na fundação da Umbanda, a espiritualidade estruturou os trabalhos sob a regência das Sete Linhas da Criação. O número 7 é um número sagrado de perfeição cósmica, presente nos dias da semana, nas cores do arco-íris e nas notas musicais.

Nesse início, os terreiros cultuavam os 7 Orixás mais populares para criar uma base sólida de fé: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iansã, Oxum e Iemanjá. Com o tempo e o aprofundamento das raízes de matriz africana, o panteão se ampliou para 12 Orixás, conectando-se aos ciclos da Terra e trazendo para o nosso dia a dia divindades essenciais como Nanã, Obaluaê e Oxumaré.

Os 14 Orixás e as Sete Linhas da Criação

Foi através da Codificação da Umbanda Sagrada que compreendemos a geometria perfeita dos Tronos de Deus.

Olorum (Deus) não é uma figura distante; Ele emana a Sua força através de 7 Sentidos Divinos (as Sete Linhas). Cada uma dessas linhas é regida por um par de Orixás: uma divindade de polaridade masculina (que irradia e expande) e outra de polaridade feminina (que absorve, atrai e paralisa o desequilíbrio).

Quando multiplicamos as 7 Linhas por esses 2 pólos (masculino e feminino), chegamos exatamente aos 14 Orixás Ancestrais. Veja como essa engrenagem cósmica é perfeita:

Linha (Sentido da Vida)O que essa força faz por nós?TronoOrixá Masculino (Irradiador)Orixá Feminina (Absorvedora)
FéSustenta nossa crença, paz e religiosidade.CristalinoOxalá (Expande a Fé)Logunan / Tempo (Filtra ilusões e fanatismos)
AmorRege a concepção, a união e as emoções.MineralOxumaré (Renova os sentimentos)Oxum (Agrega e acolhe no amor)
ConhecimentoTraz o foco, o raciocínio e a expansão da mente.VegetalOxóssi (Busca e expande o saber)Obá (Concentra e aterra o raciocínio)
JustiçaEquilibra a balança da vida, a razão e o peso de nossas ações.ÍgneoXangô (Equilibra e dá razão)Egunitá / Oroiná (Purifica e consome o que é injusto)
LeiDá direção, movimento, ordem e corta os excessos.AéreoOgum (Abre caminhos e ordena)Iansã (Movimenta e direciona)
EvoluçãoRege a transmutação, o amadurecimento e a passagem dos ciclos.TelúricoObaluaê (Transforma e cura)Nanã Buruquê (Decanta e adormece o que já passou)
GeraçãoSustenta a vida, a criatividade e a maternidade/paternidade cósmica.AquáticoOmulu (Paralisa o que atenta contra a vida)Iemanjá (Gera e nutre a vida)

E Onde Ficam Orixás como Logum Edé, Ossain e Ewá?

Se existem 14 Orixás Primordiais nos Tronos, o que acontece com divindades maravilhosas e tão amadas como Logum Edé, Ossain, Ewá e Irokô?

Na Umbanda Sagrada, essas divindades são compreendidas como Orixás Intermediários ou Encantados. Eles são forças sublimes que não ficam paradas em um único trono, mas atuam na intersecção (no ponto de encontro) de duas ou mais linhas. Como vimos no caso de Logum Edé, ele age perfeitamente onde as águas do Amor de Oxum se encontram com as matas do Conhecimento de Oxóssi.

São os 14 Orixás que seguram as vigas mestras da criação, mas são todas essas outras divindades encantadas que pintam, movimentam e dão as cores infinitas à nossa amada Umbanda!

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