Nanã


Nanã Burukuê: A Senhora do Princípio e a Avó do Mundo


Nanã Burukuê, também chamada de Nanã Buru
quê ou Anamburucu, é reverenciada como a Orixá mais velha do panteão iorubá. Enquanto outros deuses regem a tecnologia ou a guerra, Nanã reina sobre o que é ancestral e eterno. Ela é a “Avó”, a matriarca que moldou a humanidade e guarda a memória do mundo.

Diz o mito que, quando Olodumare (o Deus Supremo) decidiu criar o ser humano, encarregou Oxalá da tarefa. Oxalá tentou usar madeira, pedra, ferro e até fogo, mas todas as tentativas falharam: o homem era rígido demais ou se consumia.

Foi Nanã quem se compadeceu e surgiu das profundezas do pântano para oferecer o barro sagrado. Com essa lama primordial, Oxalá moldou um corpo flexível e capaz de abrigar a vida. No entanto, Nanã impôs uma condição eterna: “Tudo o que nasce do meu barro, ao meu barro deve retornar”. Assim foi feito o pacto da morte: Nanã empresta a matéria para a vida, mas a acolhe de volta para que o ciclo recomece.

Um dos fatos mais marcantes de Nanã é sua rejeição ao metal. O mito conta que ela baniu o ferro de seus domínios após um conflito com Ogum. Por ser anterior à Idade do Ferro, as armas de Ogum não puderam feri-la.

Nanã venceu a disputa usando seu Ibiri — um cetro feito de palha da costa e búzios, que ela carrega com o zelo de quem embala um bebê. Por essa razão, em seus rituais, nunca se usa metal; as oferendas são cortadas com facas de madeira ou pedra.

Nanã é a senhora dos pântanos, mangues e águas paradas. Ela rege a decantação: assim como a lama se deposita no fundo para que a água fique clara, Nanã trabalha em nossas emoções, transformando mágoas em sabedoria e paciência.

  • Família: É mãe de Obaluaiê (Senhor da Cura), Oxumarê e Ewá.
  • Cores: Lilás, Roxo e Branco.
  • Saudação: Saluba Nanã! (Nós a saudamos, Senhora Mãe).
  • Sincretismo: No Brasil, é sincretizada com Sant’Ana, a avó de Jesus, celebrada em 26 de julho.
  • Arquétipo: Seus filhos costumam ser pessoas calmas, sábias, introspectivas e com um forte senso de justiça.

Para aqueles que buscam a cura espiritual e a calma necessária para entender os ciclos da vida, recorrem à prece da Senhora do Princípio:

“Divina Mãe Nanã, Senhora da Sabedoria, estende o teu manto de decantação sobre minha vida. Que o teu barro sagrado absorva minhas dores e que eu tenha a paciência dos velhos e a serenidade da terra. Purifica meu espírito para que eu saiba perdoar o passado e caminhar com firmeza. Saluba Nanã!”

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